A minha tese de mestrado iniciava com o poema "Retrato" de Cecília Meireles. Senti que expressava exactamente a forma como muitos idosos se vêm. A forma como eu sinto que eles se vêm. Mesmo sem saberem disso conscientemente. Talvez expresse a forma como eu própria me vejo e como eu lido com o meu próprio envelhecimento. Expressa sobretudo uma realidade à qual é preciso chegar, que é preciso mudar.
Ao longo dos anos nunca escolhi deliberadamente trabalhar com esta população. Hoje não me vejo, para já, a fazer outra coisa.
Ao longo do último ano e meio de trabalho para a tese senti-me como que numa montanha russa. Altos e baixos de motivação, de auto-confiança, de realização. Hoje, na hora de fazer um balanço, acredito mais um bocadinho na importância do que fiz. Sobretudo na importância que o meu trabalho teve para as pessoas a quem se destinou. Espero ter contribuído com alguma alegria para os seus rostos, com algum sentido para o seu olhar, com alguma doçura para os seus lábios. Certeza tenho de que os seus corações se mostraram e enriqueceram a minha existência.
A defesa pública do trabalho foi a última descida íngreme, inicialmente carregada de ansiedade, depois tranquila e finalmente transbordante de alegria e entusiasmo. Mais que os elogios eventualmente merecidos e que a nota acima das expectativas, alegra-me este sentimento de me ter cumprido. Não de dever cumprido, mas de conseguir, apesar de todas as adversidades, manter-me fiel a mim mesma. Como se, não sabendo, eu nunca tivesse deixado de acreditar. Alegra-me sentir, novamente, um relampejo de plenitude.
Pipoca e Piruá são palavras indígenas, da extinta Língua Tupi. Pipoca significa pele estourada e Piruá significa pele levantada. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
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sábado, 17 de março de 2012
sábado, 13 de junho de 2009
"Brinca, não fiques a ver"

Consigo ver a minha vida como uma construção, como se fosse uma casa ou uma torre feita de peças de lego. Ao longo do tempo fui encaixando peças umas nas outras, peças com um sentido muito consciente e deliberado, outras sem um sentido aparente.
Sinto que nos últimos anos fiz um processo inverso: retirar as peças e tentar entendê-las, compreendê-las, integrá-las, conhecê-las, perceber que sentido têm e que sentido fazem no resto do conjunto.
Seguir este processo para cada peça, uma a uma, é demorado e difícil, mas eventualmente necessário. E neste processo o inevitável acabou por acontecer: é que o desconstruir implica um momento em que tudo está disperso, em que não há ordem, não há construção visível, apenas a recordação de um sentido passado e a possibilidade de um sentido futuro, mas não a existência concreta e real de um sentido presente. Como na metáfora do trapézio em que há um momento em que se fica suspenso no ar, sem seguranças, sem certezas.
Não sei se é possível voltar a construir tudo de novo, exactamente com a mesma ordem. Talvez não. Talvez sobrem peças. Talvez seja como desmontar um aparelho qualquer e voltar a montá-lo e perceber que sobraram parafusos ou uma peça que já não sabemos onde pertence, mas que acaba por não ser importante porque tudo funciona na mesma.
Seja como for, o processo de re-construir, de re-integrar, de re-significar é necessário. E mais do que chegar ao fim, que dificilmente se conseguirá, o que é necessário é o processo de fazer o processo.
Nesta fase de caos, de desordem, de inexistência real e concreta de um sentido presente, quase sempre senti a certeza do sentido futuro e quase nunca desespero e angústia. De alguma forma sempre intui que o sentido se faria, embora sem datas marcadas.
Não tenho ainda uma agenda. As peças vão-se encaixando lentamente. Às vezes tenho a sensação de intuir algo. Outras vezes parece que o processo estagnou. Neste momento só tenho a certeza (quase absoluta, se isso é possível) que o processo se está a fazer. E de vez em quando o vislumbre muito breve de uma imagem aparentemente completa, pronta, talvez do tal sentido futuro.
Sinto que tudo se encaminha para aí. Sinto-me a dirigir-me para lá. E às vezes sinto que sou dirigida para lá. Há demasiadas coisas (leia-se pessoas, situações, não-coincidências) a apontarem o caminho. Há alturas em que parece que a cada esquina há um painel luminoso a dizer: "É mesmo por aqui!"
Hoje fui ver o filme "Anjos e Demónios" e fiquei presa à resposta do professor Langdon à pergunta "você acredita em Deus?". Ele respondeu que a fé era um dom e que ele sentia que ainda não lhe tinha sido dado esse dom. E lembrei-me de uma pessoa que conheci há um tempo e que me disse mais ou menos a mesma coisa. Lembrei-me dessa pessoa e pronto. Alguém que conheci e nunca mais vi, mas que me marcou num momento muito particular neste meu processo de desconstrução, contemplação do caos e início da reconstrução. Essa pessoa deixou-me hoje, inesperadamente, esta mensagem no e-mail, como resposta a um outro que lhe enviei há meses: "Gostei muito da mensagem em anexo. Revela várias coisas, que já tinha intuído em ti: coragem e lucidez. O título deveria ser: procura-se a vida, porque a vida sem interesse ou paixão, pelo que quer que nos exalte interiormente, perde dimensão e fica mais pobre." Este foi, hoje, um grande sinal luminoso a dizer: "Por aqui, vais para lá, para onde tens que ir".
Incrivelmente os termos coragem e lucidez traduzem na perfeição aquilo que eu queria dizer quando escrevi aqui sobre a minha verdade mais pura. Esta verdade, que mais não é do que a liberdade para ser aquilo que sou, requer a coragem para a fazer acontecer e a lucidez para não me perder naquilo que não sou. Mais incrível ainda é que têm sido várias as pessoas que, directa ou indirectamente, me têm passado essa mensagem ultimamente.
Não é lá muito corajoso nem lúcido ficar à espera do sentido futuro para começar a viver. Finalizar uma etapa, arrumá-la muito direitinha e começar outra nova. Não é assim que a vida acontece. Ou melhor, a vida acontece e continua a acontecer enquanto eu estou preocupada em entendê-la e organizá-la. O tempo não pára. Portanto, há que sair de cima do muro e ousar viver, ser.
Quase que me atreveria a dizer que ficou gravado no meu peito, a ferro e fogo (como no filme), que a vida sem interesse ou paixão, não é vida; que a vida sem ser vivida, não é vida; que já tenho em mim a coragem e a lucidez. Ou, como diz hoje num blog aqui ao lado: "Brinca, não fiques a ver".
terça-feira, 9 de junho de 2009
Aprendemos palavras para melhorar os olhos
Gosto de Rubem Alves, como sabem.
A tarefa que tenho entre mãos por estes dias é um trabalho para a cadeira de Psicologia da Educação - conceber um projecto educativo a partir de uma ideia inspiradora surgida numa visita a um museu. O tema educação vai estar, naturalmente, muito presente nos próximos dias. A este propósito, descobri esta montagem de textos que aqui deixo. É inspiradora e muito bonita! Apreciem!
quarta-feira, 29 de abril de 2009
O Vazio (3)
Recebi este texto de uma amiga. Anda por aí a circular...Chama-se "Princípio do Vazio" e vai de encontro a vários posts que já aqui escrevi.
«Tens o hábito de juntar objectos inúteis neste momento, crendo que um dia (não sabes quando) poderás precisar deles.
Tens o hábito de juntar dinheiro só para não o gastar, pois pensas que no futuro poderá fazer falta.
Tens o hábito de guardar roupa, brinquedos, sapatos, movéis, utensílios domésticos e outras coisas que já não usas há bastante tempo.
Tens o hábito de guardar o que sentes, broncas, ressentimentos, tristezas, medos, pessoas, etc.
... E dentro de ti?...
Tens o hábito de juntar dinheiro só para não o gastar, pois pensas que no futuro poderá fazer falta.
Tens o hábito de guardar roupa, brinquedos, sapatos, movéis, utensílios domésticos e outras coisas que já não usas há bastante tempo.
Tens o hábito de guardar o que sentes, broncas, ressentimentos, tristezas, medos, pessoas, etc.
... E dentro de ti?...
Não faças isso!
É anti-prosperidade.
É preciso criar um espaço, um vazio, para que as coisas novas cheguem à tua vida.
É preciso eliminar o que é inútil em ti e na tua vida, para que a prosperidade venha.
É a força desse vazio que absorverá e atrairá tudo o que tu desejas.
Enquanto estiveres material ou emocionalmente carregado de coisas velhas e inúteis, não haverá espaço aberto para novas oportunidades.
Os bens precisam de circular...
Limpa as gavetas, os armários, o teu quarto, a garagem.
Dá o que tu já não usas.
A atitude de guardar um montão de coisas inúteis amarra a tua vida.
Não são os objectos guardados que param a tua vida, mas o significado da atitude de guardar.
Quando se guarda, considera-se a possibilidade de falta, de carência. É acreditar que amanhã poderá faltar e tu não terás meios de prover às tuas necessidades.
Com essa postura, tu estás a enviar duas mensagens para o teu cérebro e para a tua vida: 1º - tu não confias no amanhã; 2º - tu crês que o novo e o melhor NÃO são para ti, já que te alegras em guardar coisas velhas e inúteis.»
É anti-prosperidade.
É preciso criar um espaço, um vazio, para que as coisas novas cheguem à tua vida.
É preciso eliminar o que é inútil em ti e na tua vida, para que a prosperidade venha.
É a força desse vazio que absorverá e atrairá tudo o que tu desejas.
Enquanto estiveres material ou emocionalmente carregado de coisas velhas e inúteis, não haverá espaço aberto para novas oportunidades.
Os bens precisam de circular...
Limpa as gavetas, os armários, o teu quarto, a garagem.
Dá o que tu já não usas.
A atitude de guardar um montão de coisas inúteis amarra a tua vida.
Não são os objectos guardados que param a tua vida, mas o significado da atitude de guardar.
Quando se guarda, considera-se a possibilidade de falta, de carência. É acreditar que amanhã poderá faltar e tu não terás meios de prover às tuas necessidades.
Com essa postura, tu estás a enviar duas mensagens para o teu cérebro e para a tua vida: 1º - tu não confias no amanhã; 2º - tu crês que o novo e o melhor NÃO são para ti, já que te alegras em guardar coisas velhas e inúteis.»
Joseph Newton
quarta-feira, 22 de abril de 2009
A noite é escura para que se possam ver as estrelas
Ontem numa aula o professor brindou-nos com um teste surpresa. Era suposto escrevermos uma reflexão pessoal sobre um pequeno filme intitulado "Tive este sonho".
Ora o filme mais não era que uma daquelas histórias do tipo o discípulo aproxima-se do mestre e pergunta-lhe qualquer coisa a que este responde com a sabedoria própria dos mestres orientais. Neste caso era um forasteiro que chega a uma pequena comunidade, encontra um velho senhor e faz-lhe uma série de perguntas acerca do modo de vida daquela comunidade. As respostas iam todas de encontro a um modo de vida simples, sem tecnologia de ponta, perfeitamente integrada na natureza e nos seus ciclos.
Muitas das respostas do velho senhor eram questionamentos ao modo de vida que levamos.
A noite é escura para que se possam ver as estrelas. Utiliza-se a madeira como combustível, mas só a madeira das árvores que caem, não se derrubam árvores vivas. Quando alguém morre faz-se festa e celebra-se aquilo que foi a vida de quem parte.
Há sempre muito simbolismo neste tipo de histórias. Interpelações.
Uma interpelação óbvia é que nos faz falta uma atitude ecológica que não pode passar somente por separar lixo e poupar água e energia, mas por nos sentirmos e sabermos parte integrante da natureza a par com todos os outros seres vivos e não acima deles. Faz-nos falta uma maior sintonia com os ciclos da natureza e da VIDA.
Mas esta história interpela-me também noutro sentido mais metafórico.
A noite é escura para que se possam ver as estrelas. Ou seja, todas as coisas têm um sentido. Como se fosse um sentido intrínseco. Isto serve para isto, aquilo serve para aquilo. A noite, que é escura, serve para se verem as estrelas. Para quê iluminar a noite? Para que é que precisamos de uma noite que é tão clara como o dia? Assim, quando e como é que se vêm as estrelas?
A vida, a nossa vida, a vida de cada um, tem um lado sombrio e escuro que, também ele, serve para se verem estrelas. E as estrelas, sejam lá elas o que forem, só se vêm nesse escuro.
Bem vistas as coisas, tudo o que me interpela nesta fase da vida é sempre mais do mesmo!
É sinal de que há um caminho claro e inevitável a seguir e que se vai tornando cada vez mais tranquilo.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
De levar às lágrimas
Um bom exemplo de como nos enganamos tantas vezes, de como julgamos sem conhecer.
Vejam aqui. Mas vejam mesmo!
Para mim o mais impressionante é que a senhora começa a cantar e imediatamente os rostos mudam de expressão!
É absolutamente extraordinário!
Vejam aqui. Mas vejam mesmo!
Para mim o mais impressionante é que a senhora começa a cantar e imediatamente os rostos mudam de expressão!
É absolutamente extraordinário!
O Vazio
Dizia Rubem Alves às suas netas: «Hoje quero que vocês me respondam uma pergunta: o que é que vale mais, o cheio ou o vazio? Ah! Pergunta boba! Todo mundo sabe que o cheio vale mais que o vazio. Quem gostaria de receber uma caixa vazia como presente de aniversário? O que a gente quer é uma caixa cheia. É o cheio que vale. Tanto assim que o cheio custa dinheiro. Mas o vazio não custa nada. Ninguém compra o vazio.
Parece óbvio que o cheio vale mais que o vazio... Mas será mesmo? É gostoso comprar uma sandália nova. Mas uma sandália é para a gente pôr os pés dentro dela. Mas para se pôr os pés dentro dela é preciso que o "dentro dela" esteja vazio. Se o "dentro dela" estiver cheio o pé não entra. É o vazio da sandália que a torna útil. (...) A casa também é um vazio cercado de paredes. Para isso servem as paredes: para pegar o vazio e permitir que ele seja usado. (...) É o vazio entre os meus olhos e o jardim que me permite ver o jardim. É o vazio chamado "silêncio" que me permite ouvir a música. E o espelho? Para ser bom, para refletir o seu rosto, é preciso que seja vazio.»
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Coisas Boas
Há quem já me chame Pipoca Marrona!Pipoca pelo hábito de visitarem este Blog e Marrona por ter recebido, pela segunda vez, uma Bolsa de Mérito da Universidade. E isto foi uma das coisas boas que aconteceu no Sábado. Recebi mais um canudo, com o respectivo Diploma de Mérito lá dentro e já posso dizer que faço colecção de latas com diplomas!
Estes prémios têm sido muito importantes, não só porque são uma ajuda financeira muito boa, mas sobretudo porque representam o confirmar de uma opção que se tem mostrado cada vez mais certa.
Não me sinto uma marrona! Sinto-me apenas a fazer aquilo que gosto, que me dá prazer e que me faz querer aprender sempre mais. E quando é assim, as coisas correm bem!
Outra coisa boa que aconteceu no Sábado foi que me convidaram para ser juri num Festival da Canção.Não que eu tenha extraordinários conhecimentos musicais (ao contrário dos outros membros do juri), mas seja como for, foi uma experiência muito especial. Lembrou-me de outros tempos... quando era jovem...
E ultimamente tenho andado a recordar-me muito desses tempos, de quando usava calças de ganga e t-shirt e tinha o coração cheio de sonhos.
Ainda uso calças de ganga e t-shirt (dois ou três números acima!), mas os sonhos são outros e tenho alguma saudade dos sonhos desse tempo, ou melhor, da paixão e do entusiasmo que esses sonhos provocavam.
quinta-feira, 19 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Qual é a tua verdade mais pura?

A minha verdade mais pura é um momento.
Um momento de tal sintonia comigo mesma que sentia ser capaz de tudo, de qualquer coisa, sem máscaras. Sentia que havia um mundo inteiro de possibilidades aberto à minha frente.
O amanhã era uma porta aberta, uma janela escancarada.
Um momento de pura verdade é um momento em que não se sente uma ponta de vergonha, de culpa, de ciúme, de arrependimento, de inquietação.
Um momento em que não há disfarce, não há mistério.
Um momento de olhar transparente, sem defesas.
Um momento em que se está plenamente presente, como se é, verdadeiramente.
É um momento de Pura Liberdade.
Tenho tido a felicidade de experimentar alguns destes momentos ao longo da minha vida.
Mas há um momento, o eleito, o mais puro e mais livre de todos, ao qual tenho voltado muito ultimamente.
Voltar a esse momento lembra-me que aquilo que sou é mais do que tenho sido e que ser assim não requer esforço, mas abandono. Mais do que procurar a Serenidade, devo deixar que ela me encontre.
Um momento de tal sintonia comigo mesma que sentia ser capaz de tudo, de qualquer coisa, sem máscaras. Sentia que havia um mundo inteiro de possibilidades aberto à minha frente.
O amanhã era uma porta aberta, uma janela escancarada.
Um momento de pura verdade é um momento em que não se sente uma ponta de vergonha, de culpa, de ciúme, de arrependimento, de inquietação.
Um momento em que não há disfarce, não há mistério.
Um momento de olhar transparente, sem defesas.
Um momento em que se está plenamente presente, como se é, verdadeiramente.
É um momento de Pura Liberdade.
Tenho tido a felicidade de experimentar alguns destes momentos ao longo da minha vida.
Mas há um momento, o eleito, o mais puro e mais livre de todos, ao qual tenho voltado muito ultimamente.
Voltar a esse momento lembra-me que aquilo que sou é mais do que tenho sido e que ser assim não requer esforço, mas abandono. Mais do que procurar a Serenidade, devo deixar que ela me encontre.
segunda-feira, 16 de março de 2009
O Convite

Há dias abri um livro que li há uns anos e que está em lista de espera para ser lido outra vez*.
Nas primeiras páginas há um texto que me emocionou na altura e voltou a emocionar agora.
Nas primeiras páginas há um texto que me emocionou na altura e voltou a emocionar agora.
Sinto que traduz tudo aquilo que eu acho que a vida deve ser e que me questiona naquilo que eu gostaria que a minha vida fosse.
Quero saber o que anseias, e se ousas sonhar conhecer os desejos do teu coração.
Não me interessa que idade tens.
Quero saber se arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo.
Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua.
Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se estiveste aberto às traições da vida ou se te encolheste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, com a minha e com a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor. Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua; se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos dedos dos pés e das mãos, sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas, ou nos relembrares as limitações do ser humano.
Não me interessa se a história que me contas é verdadeira.
Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma.
Quero saber se consegues ser fiel e, por isso, digno de confiança. Quero saber se consegues ver beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o fracasso, o teu e o meu, e mesmo assim ficar de pé à beira de um lago e gritar à Lua prateada: "Sim!"
Não me interessa onde vives nem quanto dinheiro tens.
Quero saber se, depois de uma noite de dor e desespero, exausto, dorido até ao tutano, consegues levantar-te e ocupares-te das necessidades das crianças.
Não me interessa quem és, como chegaste aqui.
Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora.
Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste.
Quero saber o que te sustém interiormente quando tudo o mais cai à tua volta. Quero saber se consegues estar só contigo mesmo; e se verdadeiramente gostas da companhia que tens nos momentos vazios."
O Convite, de Oriah Mountain Dreamer
* O livro chama-se Inteligência Espiritual, de Danah Zohar e Ian Marshall
sexta-feira, 13 de março de 2009
Inauguração Oficial

Iniciei este blog com umas experiências... Para ver como funcionava e para, com tempo, me decidir se realmente avançava com isto ou não. Se teria paciência e tempo para publicar com frequência, se queria expôr-me desta forma, enfim...
Mas houve alguém que andou aqui a "meter o nariz" e acabou por precipitar a inauguração do blog e o anúncio oficial da minha (quase) estreia na blogosfera. Além disso fui percebendo que este blog poderia ser uma pipoca se eu o inaugurasse oficialmente, ou podia permanecer um piruá se não o fizesse.
Como eu antes quero pipoca que piruá, sejam bem-vindos(as) a este espaço, que também é vosso, e sintam-se como em vossa casa!
terça-feira, 10 de março de 2009
A Pipoca

"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. (...) Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira..."
Este texto de Rubem Alves serviu de inspiração à criação deste blog. Podem ler o texto completo aqui.
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